Raw is good

Eu fui uma criança muito chata, daquelas que dão trabalho pra comer. Não me lembro exatamente quais eram os alimentos dos quais gostava. Provavelmente tomates, arroz, feijão, batatas e bifinho de filé mignon. Na verdade, hoje eu sou da opinião de que meu paladar era preguiçoso. Eu não gostava de comer quase nada porque não me eram apresentadas muitas opções. Entendo que minha mãe fez isso – acreditar que eu só comeria x, y e z, e só preparar o que eu “gostava” – por amor. Foi por carinho que me tornei uma menina mimada, que não se interessava por legumes, frutas, proteínas diferentes, etc. Eu era nojentinha mesmo!

Mas, por que estou contando tudo isso?
Bem, muitos anos depois da minha infância, já na faculdade, comecei a namorar o Eduardo, uma pessoa que não apenas come de tudo, mas também “obriga” quem está ao seu lado a se abrir para experimentar coisas novas. Passamos um longo período vegetarianos – com carne de soja, glúten, tofu e tudo o que se tem direito – o que foi o fim da picada pra minha mãe (dona de casa de carnes, lembram?). Depois, a decidimos não nos rotular mais. A gente nem come muita carne, mas temos a liberdade de comer carne quando temos vontade. É diferente.
Voltando, o que era realmente estranho no passado, hoje é a rotina da minha alimentação.
Para começar, não temos “arroz e feijão” todos os dias em casa. O carboidrato das refeições na maioria das vezes é algum legume ou massa ou cuscuz ou pão. O feijão muitas vezes é substituído por lentilhas ou outros grão. O óleo é azeite de oliva. O vinagre é balsâmico. A carne nem sempre é bovina e, quando é, normalmente não é filé mignon. E quase nunca é bifinho. Hoje sou muito mais um assado ou um cozido com bastante mirepoix, aromáticos, legumes, algum vinho… Carne suína, que me costumava me fazer gritar um estrondoso “eca!”, é benvinda com freqüência.
E, o mais impensável de tudo, adoro proteína crua (“eca!”, de novo, pra Wendy de dez anos atrás).
Seja steak tartare ou quibe cru, seja um pratão de carpaccio, tudo me agrada. Paralelamente, no tocante a grelhados e churrascos, por favor, saiam daqui com as solas de sapato tão apreciadas na minha infância.
Recentemente, o alimento com presença mais certa na mesa aqui de casa é peixe cru. Especialmente no jantar. Não me refiro a sashimis e sushis; esses prefiro deixar para consumir em restaurantes. Estou falando de ceviches e tartares. A gente passa na seção de peixes do supermercado e vê o que está mais legal e leva pra casa.
Ontem mesmo, vi um salmão super fresco com o preço ótimo. Peixe gorduroso e de carne macia e delicada que é, ficaria ideal como tartare, com azeite, poucos adereços e bem pouco limão. Mas o Eduardo queria ceviche. Então acabei fazendo uma coisa meio-termo: peixe em cubos, sal, pimenta, cheiro verde, coentro, cebola roxa e pimentão. Caprichei no azeite e usei, além das raspas, um pouco de limão siciliano.
Quer saber? Ficou bom.
Acompanhado de endívia e pão integral Pinheirense (faz diferença!) deu bem certo. Para beber, vinho branco português.

A foto rendeu bons comentários.

Um pra mim, um pro Edu.

Um pra mim, um pro Edu.

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