Raw is good

Eu fui uma criança muito chata, daquelas que dão trabalho pra comer. Não me lembro exatamente quais eram os alimentos dos quais gostava. Provavelmente tomates, arroz, feijão, batatas e bifinho de filé mignon. Na verdade, hoje eu sou da opinião de que meu paladar era preguiçoso. Eu não gostava de comer quase nada porque não me eram apresentadas muitas opções. Entendo que minha mãe fez isso – acreditar que eu só comeria x, y e z, e só preparar o que eu “gostava” – por amor. Foi por carinho que me tornei uma menina mimada, que não se interessava por legumes, frutas, proteínas diferentes, etc. Eu era nojentinha mesmo!

Mas, por que estou contando tudo isso?
Bem, muitos anos depois da minha infância, já na faculdade, comecei a namorar o Eduardo, uma pessoa que não apenas come de tudo, mas também “obriga” quem está ao seu lado a se abrir para experimentar coisas novas. Passamos um longo período vegetarianos – com carne de soja, glúten, tofu e tudo o que se tem direito – o que foi o fim da picada pra minha mãe (dona de casa de carnes, lembram?). Depois, a decidimos não nos rotular mais. A gente nem come muita carne, mas temos a liberdade de comer carne quando temos vontade. É diferente.
Voltando, o que era realmente estranho no passado, hoje é a rotina da minha alimentação.
Para começar, não temos “arroz e feijão” todos os dias em casa. O carboidrato das refeições na maioria das vezes é algum legume ou massa ou cuscuz ou pão. O feijão muitas vezes é substituído por lentilhas ou outros grão. O óleo é azeite de oliva. O vinagre é balsâmico. A carne nem sempre é bovina e, quando é, normalmente não é filé mignon. E quase nunca é bifinho. Hoje sou muito mais um assado ou um cozido com bastante mirepoix, aromáticos, legumes, algum vinho… Carne suína, que me costumava me fazer gritar um estrondoso “eca!”, é benvinda com freqüência.
E, o mais impensável de tudo, adoro proteína crua (“eca!”, de novo, pra Wendy de dez anos atrás).
Seja steak tartare ou quibe cru, seja um pratão de carpaccio, tudo me agrada. Paralelamente, no tocante a grelhados e churrascos, por favor, saiam daqui com as solas de sapato tão apreciadas na minha infância.
Recentemente, o alimento com presença mais certa na mesa aqui de casa é peixe cru. Especialmente no jantar. Não me refiro a sashimis e sushis; esses prefiro deixar para consumir em restaurantes. Estou falando de ceviches e tartares. A gente passa na seção de peixes do supermercado e vê o que está mais legal e leva pra casa.
Ontem mesmo, vi um salmão super fresco com o preço ótimo. Peixe gorduroso e de carne macia e delicada que é, ficaria ideal como tartare, com azeite, poucos adereços e bem pouco limão. Mas o Eduardo queria ceviche. Então acabei fazendo uma coisa meio-termo: peixe em cubos, sal, pimenta, cheiro verde, coentro, cebola roxa e pimentão. Caprichei no azeite e usei, além das raspas, um pouco de limão siciliano.
Quer saber? Ficou bom.
Acompanhado de endívia e pão integral Pinheirense (faz diferença!) deu bem certo. Para beber, vinho branco português.

A foto rendeu bons comentários.

Um pra mim, um pro Edu.

Um pra mim, um pro Edu.

Crítica gastronômica

Estou me sentindo muito chique.
Peguei na rabiola do Edu e acabei jantando super bem em Mendoza.
Resultado: a pedido do Sr. Christian Burgos, acabei escrevendo uma crítica que – iupi!!! – foi publicada na revista ADEGA deste mês (set/2011). Adorei!!!
Comprem!!!

A matéria completa tem fotos lindas. Segue só o texto (com alguns errinhos de digitação, pois foi redigida lá em Mendoza mesmo, direto no iPhone):

“NADIA O.F.

Ótima gastronomia em ambiente agradável fazem do Nadia O.F. boa opção para jantar em Mendoza

O sucesso do Urban, que funciona dentro da vinícola O.Fournier, no Vale do Uco levou à chef Nadia Harón a servir sua gastronomia também nos arredores da cidade de Mendoza. Hoje, em uma antiga casa de barro construída no século XIX, em Chacras de Corria funciona o seu “Nadia O.F. restaurante”.

O local foi reformado e decorado pela chef e seu marido, o viticultor José O. Fournier. Além da área interna, nas noites mais quentes, os visitantes podem desfrutar de suas refeições em uma enorme mesa instalada em um agradável jardim, sentando-se em cadeiras fabricadas a partir de velhas barricas de vinho.

O conceito da casa reflete a personalidade dos proprietários. “A vanguarda da gastronomia é voltar às tradições”, diz Fournier.

A comida reflete a elegância e a delicadeza da chef. Desde o azeite do couvert até o café servido ao final da refeição, tudo é cuidadosamente escolhido por Nadia. Não existe cardápio. O que se oferece é um menu degustação de seis pratos, precedidos por pães de azeite produzidos diariamente no forno de barro. Não há invencionices. O que se experimenta é comfort food preparada com boa técnica e muito cuidado. A lista combina diferentes culturas e se baseia na sazonalidade, ou seja, os pratos são desenvolvidos com o que houver de melhor no mercado naquela semana. E nunca coincidem com o que estiver sendo servido no Urban.

A idéia principal da casa é fomentar o consumo de vinhos mas, ao contrário do que se possa pensar, não existe uma carta propriamente dita. De acordo com José Ortega Fournier, “o que se espera é que cada um traga sua garrafa preferida para o restaurante; nossos vinhos estão aqui apenas como back up”. Assim, os comensais podem escolher o menu degustação simples ou harmonizado com vinhos das linhas da O.Fournier.

Belamente montados, os pratos satisfazem o corpo e a alma. A “Delícia de batata doce com alho poró crocante, leite de coco e sal de baunilha” e as “Favas verdes salteadas com jamón serrano”, servidas como aperitivos preparam os paladares para a entrada. No caso da “Flor de batata com pisto manchego”, o ovo poche estava cozido à perfeição e delicadamente temperado com sal trufado. Outra opção, o “Creme de cebolas com espuma de parmesão” agrada também aos olhos. Inícialmente, o prato chega apenas com a espuma; já na mesa, o creme quente é derramado sobre ela, que “floresce” por sob o creme, proporcionando uma espécie de mãgica. O “Bife de lomo com batata ao murro e molho vermelho” chegou no ponto correto. O “Sorbet de camomila com mel”, um tipo de granita, na verdade, abriu caminho para os delicados “Profiteroles de creme e chocolate sobre redução de laranja e amêndoas”.

Outra particularidade da casa é o uso de sais especiais para finalização da maioria dos pratos. De fato, o casal de proprietários é apaixonado pelo assunto e sempre traz algum tipo diferente de suas viagens. Na noite em que ADEGA visitou o Nadia O.F., foram experimentados sal de baunilha, sal de trufa, sal vermelho do Havaí e sal rosa do Himalaia, uma pequena amostra da enorme coleção.

Por fim, o serviço é correto e atencioso, fazendo com que valha a pena fazer uma reserva e tomar um taxi do centro de Mendoza até Chacras de Corria. Mas, atenção, o Nadia O.F. abre somente para o jantar. Almoços somente para grupos e agendados previamente.

NADIA O.F.
Italia 6055, Chacras de Coria
Mendoza (Argentina)
Phone: + 54 (0) 261 496 1731
www.nadiaof.com
reservas@nadiaof.com”

Wedding cake

Quando minha prima Camila me contou que iria se casar, eu logo quis saber detalhes: onde, quando, quem seria convidado, como seria o buffet… Obviamente, o bolo seria daqueles de vários andares e com os noivinhos no topo, porém, seria de isopor. Como assim??!! Bolo de isopor? Pois é, pra servir, o buffet faria um bolo simples, e sobre a mesa decorada pras fotos haveria uma estrutura de isopor – já usada trocentas vezes – com os tais noivinhos parados lá em cima. Eu perguntei: “por que você não faz um bolo de verdade?”. Já diziam os antigos que quem pergunta o que quer ouve o que não quer e a resposta foi direta: “porque é muito caro e a lista de convidados – e consequentemente o orçamento – já estourou”. Em seguida, minha pérola: “ah, deixa então que eu faço um pra você!”.

Isso aconteceu há mais de um ano e eu confesso que cheguei a pensar que a Camila houvesse se esquecido da minha promessa. Claro que não! Assim, o negócio foi procurar modelos pra escolher, comprar utensílios – quem tem forma redonda de 40 cm de diâmetro em casa? – e ingredientes. Umas horinhas na Rua Paula Souza resolveram o problema. E mãos à obra!

Minha prima Má, que foi a grande doceira da festa, veio do interior pra fazer milhares de bombons, camafeus, brigadeiros… e acabou me ajudando com o bolo também. Afinal, sozinha não dava pra manipular coisa tão grande (impossível erguer e virar um pão de ló de 40 cm sozinha sem quebrá-lo). E o Carlinhos, super talentoso, ajudou na finalização. Tenho que agradecê-los por ter comprado a idéia e contribuído.

Ta da! O bolo pronto.

Resolvi com a Camila que o bolo teria três andares, sendo que o menor teria 26 cm de diâmetro pra conseguir acomodar os noivos enormes que ela comprou. Eram quase o Ken e a Barbie! O bolo do meio, teria 30cm e o maior 40 cm. Isso equivale a dizer que foram três massas de pão de ló de 7, 18 e 30 ovos, respectivamente. Muito leite condensado cozido com nozes e geléia de damasco pra rechear e muita pasta americana pra cobrir e decorar. Tudo homemade, lógico! Minha super batedeira veio a calhar (valeu, Veras!), porque bater todos esses ovos não teria sido tarefa fácil, não. As bancadas do “ex- e futuro, quem sabe – açougue” também. Deu pra trabalhar com conforto.

Um dos bolos, já assado.

Um dos bolos, recheado em três camadas: nozes, damasco e nozes de novo.

Sobre a decoração, como os noivos de cima eram bem marcantes, o plano foi fazer tudo praticamente branco, brincando só com flores – modeladas uma a uma – laços e pontinhos. Pra produzir tantas florezinhas, contei com a ajuda principalmente da minha mãe, que insistiu em tentar copiar as rosas e camélias do livro da Isabella Suplicy.

Flores de açucar

Em ação, com o parceiro Carlinhos.

Aplicando a decoração.

Base - com seus três andares - pronta.

Já no final, com os três andares de bolo devidamente “forrados” e com a barra acertada, foi momento de fixar os noivinhos, soltar a imaginação e aplicar as flores.

A experiência foi toda muito boa. Eu A-M-E-I fazer o bolo! E foi muito sensacional poder estar em família preparando tudo. Modéstia à parte, ficou bem profissional. Considerando que foi meu primeiro bolo gigante, ficou ótimo!

Ainda no começo do processo, preparando os pães de ló. Da direita pra esquerda: Camila (a noiva), Má, Mare e eu

O bolo já devidamente instalado na mesa principal de doces no salão.

Pra que não pairem dúvidas de que, além de lindo, ficou delicioso, segue a uma última foto, do bolo cortado, mostrando todas as camadas e a umidade saborosa.

Depois dessa, vou começar a aceitar encomendas pra aniversários, casamentos, lembrancinha de maternidade e festas em geral.

É só me escrever: wendyelago@gmail.com.

Comida de mãe – ou de filha?!

Por circunstâncias diversas, minha mãe acabou vindo passar a semana comigo.
O engraçado é que bem uns dias atrás eu estava mesmo pensando que estava com saudade de “ser filha”, ser cuidada(na verdade, ajudada a cuidar da minha casa, já que meu funcionário atual não vai naaadaaa bem).
Enfim, meus pijaminhas foram costurados, minhas plantas podadas, as orquídeas antigas finalmente foram fixadas nas árvores. Comida de mãe que é bom… nada!
Acredite se quiser, D. Nilce trouxe uns pedacinhos de torta de legumes e um restinho de massa pra ela almoçar na segunda-feira; o resto tem estado a meu cargo.
Mas sabe de uma coisa, estou achando que isso é bom sinal. Uma cozinheira de mão cheia e cheia de tempo livre preferindo comer o que faço!!!
Amanhã ela já volta pra casa dela, pra cuidar do meu “irmãozinho”. Por enquanto, ela vai curtir os netinhos – de quatro patas, com quem ela implica tanto – mais um pouco.

20110504-142601.jpg

Party time! Part II

Voltando às comemorações do meu aniversário, dia 22 recebi meus amigos aqui em casa.  Bem pouca gente (chamei quem mora perto), só cinco casais, mais eu e o Edu - amigo mesmo, a gente tem poucos, não é? – então deu pra eu fazer diferente do dia anterior. Ao invés de prato familiar, montado com travessas pra cada um se servir, resolvi empratar tudo direitinho.

Amigos especiais, falta pouca gente na foto.

O dia teve várias outras coisas acontecendo, afinal era segunda-feira, dia normal, com prazo pra protocolar, cliente pra atender, etc. Tanto é que chegou a haver um pequeno stress aqui em casa, porque o Edu afirmou que eu não conseguiria organizar tudo o que eu estava querendo e que tudo seria uma correria. Claro que provei que ele estava errado. Rs. Arrumei a mesa, a mesa de apoio, os copos e taças, fiz um arranjo bacana com os talheres e guardanapos, enfeitei a varanda com velas e flores, separei todas as bebidas e utensílios… resumindo, tudo perfeito. Hoje não estou muito modesta.

Bom, a festa era minha e eu caprichei mesmo. Acabei me esquecendo de tirar fotos de algumas coisas (fiquei muito emocionada com a super câmera nova que ganhei da Andréa), mas o cardápio foi:

1. Entradinha:

- torradinhas e pão sueco com paté de foie e queijo brie com mel e pimenta  (isso tudo eu comprei e só montei, né)

2. Sequência de pratos:

- Terrine de queijo de cabra com aspargos

Muito simples e prática. E impressiona! Leva praticamente aspargos branqueados e uma mistura de queijo de cabra e coalhada seca. É só montar em uma forma tipo bolo inglês e servir com azeite aromatizado com ervas.

- Gazpacho andaluz

Eu adoro tomates. E adoro sopinhas frias. Na verdade, acho que não tem como não gostar de gazpacho. A receita que eu uso é do Senac. Aliás, ao contrário de muitas receitas de livros e revistas, tudo o que eu aprendi no CCI não tem preço.

Pena que faltou a foto, porque eu servi num copinho que ficou muito fofo.

Bem, pra começar, escolha tomates bons, bem vermelhinhos e com gosto de tomate – e não de chuchu, como diria meu professor Nicola. Bat ano liquidificador tomates sem pele – 800g, pimentão vermelho sem pele (e sem sementes, óbvio) – 150g, pepinos (só a polpa) – 100g, alho – 1 colher de chá, azeite – 30ml e miolo de pão molhado – 80g. Acerte a textura com água gelada e tempere com sal, pimenta e vinagre. Sirva gelado e decorado com cubinhos bem pequenos de tomate, pepino e pimentão.

- Salada Mar e Terra

Essa idéia eu peguei em um livro que o Edu me trouxe do Chile, durante a viagem que ele fez pela Adega pra visitar a Concha y Toro. Leva kani desfiado, camarões feitos no vapor, palmito em cubos, manga ou abacaxi em cubos e salsão. Misture tudo e reserve. À parte, prepare um molhinho com creme de leite fresco, um pouco de maionese, catchup, gengibre, sal, pimenta Tabasco® e cebolinha verde. Na hora de servir, junte tudo e monte guarnecido com alface romana.

- Fraldinha ao molho de balsâmico com rúcula e batatas rústicas

A foto está péssima, mas o prato estava bom. Rs.

A graça dessa carne é limpar bem a fraldinha e mariná-la com shoyu, vinagre balsâmico, azeite  e ervas. Deixar algumas horas, tirar da marinada, secar bem, pincelar com honey mustard e selar em sautese. Reservar e usar o fundo da sautese (se não estiver queimado e amargo), a marinada e vinho tinto pra fazer o molho, que deve ser peneirado. Isso dá pra fazer tranquilo com antecedência.

As batatas são facílimas. Lave bem – porque elas não serão descascadas - corte em gomos, tempere com sal grosso, alecrim (ou sálvia, ou tomilho…) e azeite e asse diretamente no forno.

O que eu fiz, foi deixar as batatas preparadas pra ir ao forno. Uns 35-40 minutos antes de servir, coloquei-as pra assar, sendo que nos 8-10 minutos finais, a fraldinha também seguiu pro forno.

Na hora, é só aquecer o molho, fatiar a carne e montar os pratos.

3. Sobremesa:

-Sorvete de doce de leite com chantili de queijo cremoso

Congelei o pudim do dia anterior. Misturei crème fouetté (creme de leite batido como chantili, mas sem adicionar açucar) com catupiry®. Montei nos pratos uma fatia do “sorvete” com o chantili.

- Brigadeiros (de novo!)

O bacana de tudo é que planejei, organizei, preparei e cozinhei sozinha. Digo, minha “secretária” lavou a saladinha, picou as guarnições do gazpacho, cortou as batatas… A Jane me ajudou a montar o prato quente… Mas fiquei feliz por ter dado conta do recado.

Fatiando a fraldinha.

Ah, tudo foi harmonizado pela minha amiga Jane, com vinhos e espumantes da Pizzato, lógico! Eu super valorizo o trabalho da Jane e faço propaganda mesmo dos vinhos dela. Apesar da vinícola ainda ser pequena, os produtos todos são feitos com cuidado e amor e isso, via de regra, pode ser percebido nos vinhos. Não é pro Sr. dela e nem pro Nono ficarem com ciúme, hein.

 

Party time! Part I

Novembro sempre foi mês de festa em casa. Afinal, três aniversários seguidos trazem bastante agitação. Dia 1º, comemora meu irmão. Dia 10 era dia de bolo de pão de ló rechado de pêssegos em calda e coberto com chantilly (o preferido do meu pai). E dia 22, vem o dia mais lindo: meu dia!

Bem, já é o segundo ano que não temos o bolo de pêssegos, o que ainda dói muito. Um jeito de melhorar isso é celebrar melhor os dias 1º e 22.

Esse ano, meu irmão amado completou 40 anos.  A idéia inicial da minha mãe era fazer o básico, só pra família e bem “sabor da infância”: sanduíche de carne desfiada e outras guloseimas. Entretanto, como ele havia recém operado o joelho e estava meio que “de molho”, se animou a convidar amigos. Então, resolvemos preparar algo temático. Como esfihas estavam praticamente definidas, seguimos adiante com a idéia de comida árabe.

Uma pena que nada foi fotografado, mas ficou bem bacana: esfihas, homus, babaganuche, coalhada seca, quibe assado, um tabule improvisado…

Pros meus ?? anos, a comemoração foi dobrada. Dia 21, almoço pra família toda. Como entrada, resolvi dar uma inventada e preparei um “salada de cassoulet”.

Depois, moqueca baiana com pirão, arroz branco e farofa. Ficou faltando a foto. No final, ao invés de bolo, pudim de doce de leite e brigadeiros – esses últimos feitos com chocolate em pó, manteiga, um toque de conhaque e passados em chocolate de verdade, ao invés de granulado de gordura.

Sobre o cardápio do dia 22, conto no próximo post.

Puxão de orelha da cunhada

Meu dia-a-dia tem sido tão corrido que, embora tenha bastante coisa pra contar, não tenho sido diligente com a atualização do blog.
Na verdade, fora o que tenha a ver com trabalho e manutenção da casa, a internet só viu manifestações minhas quando protestei contra a eleição da nova Presidente da República. Até o dia em que minha cunhadinha me perguntou se eu havia “virado política” e disse que as publicações sobre comida eram muito mais interessantes.
De fato! A Ali tem razão. Então, vou tentar publicar, aos poucos, as coisas mais interessantes que tenho feito e que tem acontecido, a começar informando a chegada do meu mais novo bebê.
Muito obrigada, MV, por ter trazido minha batedeira.Minha KitchenAid Pro

Minha KitchenAid Pro

A versatilidade do confit

Eu me lembro de ter contado que havia confitado algumas coxas de pato um tempo atrás. Pois bem, por mais que confitar acabe sendo um método de conservação e que as tais coxas estivessem mergulhadas, ou melhor, seladas, na própria gordura (já endurecida pela temperatura da geladeira), e por mais que os franceses tradicionalistas digam que quanto maior o tempo o confit é guardado melhor ele fica, o fato é que elas tinham que ser consumidas. Afinal, por menor que seja, existe o risco de formação de bactérias.

As coxas mais bonitas, obviamente, já tinham sido devidamente preparadas, tiveram a pele dourada e foram acompanhadas com gratin de batatas e gomos de maçãs cozidos. Sobraram as que haviam sofrido com o manuseio. O que fazer com elas?

Bem, pato confitado é bom de qualquer jeito. Mesmo! Quem nunca experimentou realmente não sabe o que está perdendo. Os ingredientes da cura e processo todo de se confitar conferem um sabor ultraespecial ao pato, fora a textura que fica perfeita e a linda cor rosado-avermelhada da carne.

Um casal de amigos viria almoçar conosco. Edu tinha comprado um talharim “all’uovo”, de uma marca italiana chamada “Granarolo”, que é simplesmente divino. Resolvi, então, fazer uma massa. Pro molho, por que não usar meu confitzinho?

Meio de cabeça, fui resolvendo como fazer, ali na hora mesmo. Esse é um ponto de divergência aqui em casa. Eu funciono muito nesse esquema de criatividade e improviso e o Edu me cobra planejamento (pra ele poder escolher o vinho, me ajudar com alguma coisa que estiver faltando, etc.). Eu assumo que preciso mesmo encontrar um balanço.

Indo direto “pro finalmente”, o resultado foi esse:

 

 

Massa all'uovo com molho de confit de pato

 

Como cheguei até aí segue abaixo.

Antes de mais nada, é preciso explicar como confitei as coxas de pato . Não é difício encontrá-las, as minhas comprei congeladas. Tarefa mais difícil é achar gordura de pato, então dá pra pensar em substituir por banha de porco, dessas que se compra de bloco no supermercado. E dá, ainda, pra usar uma parte de gordura vegetal hidrogenada. O sabor não fica 100% igual, mas tudo bem, melhor do que não preparar essa delícia.

1) Confit de pato

Eu preparei umas dez coxas de pato ao todo. A primeira fase do preparo é curar essas coxas, deixando-as em uma “marinada seca” preparada com sal grosso (uns 20g), açucar mascavo (umas 4 colheres de sopa), ramos de alecrim e de tomilho (eu uso pelo menos uns 2 ou 3 ramos de cada), zimbro em grãos (1 colher de sopa), pimenta do reino em grãos (um pouco menos dp que a quantidade de zimbro). Misture todos esses ingredientes e distribua sobre as coxas de pato inteiras (descongeladas e secas, óbvio!), “besuntando” bem. Coloque num recipiente fechado e deixe em geladeira por um dia.

No dia seguinte, retire as coxas da cura, limpando bem (bem mesmo! não pode sobrar nada grudado na carne). Disponha numa panela grande o suficiente para comportá-las, de preferência sem sobreposição. Cubra com aproximadamente 2 litros de gordura derretida (só de pato, de pato com banha de porco, de pato com gordura vegetal, uma parte de cada… enfim, o que você tiver conseguido providenciar). O importante é que as coxas fiquem totalmente submersas na gordura. Deixe no fogo muito baixo por 8 horas. É essencial que o fogo esteja super baixo, não deve passar de 100º c, para que a gordura não esquente demais. Como dica, não deixe ferver nunca, o ponto correto é quando você vê pequenas bolhinhas querendo se formar. É o que chamamos de simmer. Para facilitar sua vigília, suspenda a panela de alguma forma, diminuindo o contato direto com o fogo. Depois de pronto, deixe esfriar,  retire as carnes da gordura com cuidado, transfira para um recipiente esterilizado. Coe a gordura do cozimento descartando qualquer quantidade de água que possa ter se formado no fundo da panela. Mantenha dentro da própria gordura.

 

2) Molho a base de pato confitado

Bem, numa sautese grande, refoguei cebola em um pouquinho de azeite até ficar transparente. Usei um pouco de alho poró, uma folha de louro e um dente de alho inteiro também. Desfiei grosseiramente as coxas de pato confitadas, desprezando a gordura e as peles e acrescentei ao refogado. Adicionei um pouco de conhaque e deixei evaporar. Juntei um tanto de creme de leite fresco, em quantidade para umedecer tudo e dar uma cara de molho ao refogado de pato. Deixei tudo junto ferver um pouco em fogo mais baixo,  corrigi o sal e a pimenta do reino e, no final, salpiquei com alecrim e tomilho frescos. Ah, e tirei o dente de alho e a folha de louro da sautese, claro. Como eu tinha perdido um pouco do líquido nesse processo, alonguei o molho com mais um pouco de creme de leite. A partir daí, foi só juntar a massa já cozida al dente na sautese, agregar tudo com cuidado e servir. Bon appétit!

PS: servir a massa no prato herdado da bisavó do Edu ficou muito charmoso, não ficou?